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RSSGoverno repassou R$ 11 milhões ao carnaval de Manaus em quatro anos
Para os dirigentes, o dinheiro não é suficiente para custear os desfiles. Já especialistas acreditam que o investimento não fomenta o turismo como em outras cidades.
Manaus - Nos últimos quatro anos, o governo do Estado gastou mais de R$ 11 milhões com o desfile do carnaval de Manaus. Apenas para as escolas de samba foram destinados R$ 8,028 milhões, cerca de 70% do total de recursos. Para os presidentes das agremiações, o dinheiro não é suficiente para custear os desfiles. Já especialistas acreditam que o investimento não fomenta o turismo como em outras cidades brasileiras.
De acordo com o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, um dos maiores entrave têm sido falhas na prestação de contas das escolas. “Para se ter uma ideia, até esta sexta-feira (10), apenas a liga das escolas que desfilam na sexta (Grupo de Acesso) receberam os devidos recursos, porque as demais agremiações, incluindo as do Grupo Especial, ainda não se regularizaram para receber a verba”, informou.
Segundo Robério, as escolas de samba prometem que até amanhã irão apresentar toda a documentação necessária para se regularizarem e ficarem aptas a receber os recursos.
O presidente da Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus (Ageesma), Elimar Cunha, assegurou que o Governo do Estado já tem recursos disponíveis para as escolas de samba de Manaus. “Serão R$ 2,1 milhões apenas para as escolas do Grupo Especial e dos Grupos de Acesso. Não é possível fazer desfile sem recursos públicos. Até o carnaval do Rio de Janeiro recebe dinheiro público, além de outras cidades onde ocorre desfile de escolas de samba ou de blocos”, avaliou
O secretário Robério Braga ressaltou que, apesar das dificuldades, é válido investir no carnaval de Manaus. “É claro que as escolas e grupos precisam se reciclar e se organizar melhor. Mas é inegável que, além de ser uma festa popular e tradicional, gera emprego e renda, além de produzir artistas, como carpinteiros, ferreiros, decoradores, etc. Outro ponto importante é oferecer entretenimento gratuito para o povo”, defendeu.
Para ele, falta maior profissionalização das escolas de samba para lidar com a gestão dos recursos e melhorar sua eficiência na capitação. “Eles disseram que precisavam de um sambódromo e ele foi construído, depois cobraram um galpão para guardar os carros alegóricos e maior recursos. Tudo isto foi feito. O que falta agora é a reorganização das entidades que representam as escolas”, opinou Robério.
Sem expressão
De acordo com a pesquisadora de turismo Elisandra Monteiro, cada vez mais a população local tem evitado ficar na cidade durante o carnaval. “Há um movimento inverso. Eles saem da cidade aproveitando o feriado para passar o carnaval em cidades próximas À capital, como Presidente Figueiredo, Iranduba e Rio Preto da Eva”, explicou Elisandra.
Em março do ano passado, quando ocorreu o desfile das escolas de samba na capital amazonense, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes registrou o quarto menor índice de fluxo de passageiros do País, com 233.741 pessoas viajando. No mesmo período, o Aeroporto Internacional de Salvador-BA registrou a segunda maior movimentação de passageiros. Em março do ano passado, 765.781 pessoas passaram pelo aeroporto baiano em voos internacionais e domésticos.
No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o popular Galeão, 1,2 milhão de passageiros passaram pelo local durante o mês do carnaval do ano passado, sendo 315.234 passageiros de outros países.
Salários nos barracões não são reajustados
Nos galpões situados ao lado do Centro de Convenções (sambódromo) se concentram ferreiros, aderecistas e artistas plásticos na confecção dos carros alegóricos que irão fazer parte do desfile das escolas de samba. Ao entrar no local, a primeira impressão é de um forte cheiro de tinta e cola que toma conta do local. No alto, homens se seguram em cima das ferragens ainda sem a cobertura que irão moldar as alegorias dos carros.
“Além destes trabalhadores que estão no galpão, temos ainda 23 ateliês que geram cerca de 138 empregos diretos”, explicou o carnavalesco da Grêmio Escola de Samba da Aparecida, Saulo Borges.
Segundo ele, os aderecistas recebem, por quinzena, entre R$ 300 e R$ 400. “Depende do grau de profissionalismo de cada trabalhador”, ressaltou.
Os salários aparentemente não sofreram reajuste durante os últimos anos. “Não há grande diferença salarial em comparação com anos anteriores. O salário é praticamente o mesmo”, informa o artista plástico da Escola de Samba Balaku-Blaku, Antônio Vasconcelos.
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